segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Projeto Memórias de Vida em Vida

Memórias de Vida em Vida


Dª Mera

Nascida no dia 16 de novembro de 1951, de um parto natural e caseiro (parteira), foi criada nas margens do rio Bandeira mais precisamente no Monchão Branco. Do segundo casamento de seu pai ela foi à primeira filha, quando estava com mais ou menos 6 anos, perdeu sua mãe, quando dava a luz a sua irmã casula.
Sua terceira irmã, que sobreviveu de um parto muito difícil foi criada pela avó, enquanto ela e sua segunda irmã ficaram com o pai.
Seu pai Jacinto Neres dos Santos trabalhava de segunda á sexta na roça e no sábado ia para o “corgo” lavar toda roupa. “Meu pai foi um exemplo de pai, na ausência de nossa mãe, ele tornou-se uma mãe para nós". Além de o Sr. Jacinto lavar toda a roupa, era ele que socava arroz no pilão, levantava de madrugada para fazer o ”tira torto“(café da manha bem reforçado) deixava tudo pronto partia para roça, ao chegar da roça dava banho nas filhas, e em seguida preparava o jantar.
“Me lembro um dia que o meu pai veio em Guiratinga comprar o que ele não produzia na roça (açúcar, sabão, café e leite enlatado para minha irmã menor), quando o rio Bandeira encheu e ele não pode passar só chegando no dia seguinte, ficando sós eu e minha irmã, e não ficamos com um pingo de medo”.
Até os seus nove anos foi assim que Dª Mera juntamente com sua irmã e seu pai viveram.
“Um dia meu pai sentou-se no banco da varanda e pós eu e minha irmã do lado, e perguntou se nós queríamos ficar com nossa avó ou ir morar em Guiratinga, pois já estávamos ficando moças e não podíamos ficar sozinhas no ‘barraco” enquanto ele trabalhava e também tínhamos que estudar. E nós ‘bobas’ escolhemos Guiratinga, pois achávamos que Guiratinga era um lugar muito bonito e nunca tínhamos conhecido antes“.
Assim com seus nove anos Dª Mera e sua irmã Tiana vieram para Guiratinga estudar, “e a coisa mudou completamente”.
Sua primeira escola foi a Escola Reverendo Domingos Fernandes depois Julio Miller, passando pela escola Santa Terezinha, estudando só até a 4ª serie, por conta do trabalho, que era muito decidiu para de estudar” Não tinha tempo para estudar, e sai da escola, porque se reprovasse ganhava taca’.
Dª Mera desistiu da escola com quinze anos trabalhava e morava em uma chácara onde a proprietária era tia da mulher do primeiro casamento de seu pai. Com ela morava mais ou menos vinte pessoas (entre adultos e crianças), lá eles criavam animais, galinha, peru, pato, porco, vaca entre outros, plantavam hortaliças e principalmente mandioca, de onde faziam farinha e polvilho para vender.
Nessa chácara não havia energia elétrica, o trabalho e a escola eram divididos em turmas, os que estudavam de manhã, acordavam as 05:00, para molhar a horta e em seguida ir para escola.
Quem estudava à tarde era responsável pela alimentação dos animais e o almoço, a turma da manhã chegavam da escola, almoçavam e iam trabalhar, fazer sabão, restelar o quintal, carpir a horta e entre outros serviços.
‘ A Dindinha, era o nome que nós a chamamos, nos castigavam e nos batiam muito se não fizéssemos os serviços do jeito que ela queria, ela não entendia que ainda éramos crianças ““.
O horário de ir pra cama era ás 19:00 ‘mesmo sem sono tínhamos que deitar para não gastar querosene.”“.
Essa chácara nos dias de hoje ainda existe e em perfeitas condições, ela fica no termino da rua Paraná no bairro santa cruz. “Por conta da vasta plantação de mandioca, na chácara onde morávamos o bairro foi apelidado de ‘Mandioca’”.
"Fiquei nessa chácara por nove anos trabalhando de graça, ganhando somente a comida e roupa lá de vez em quando, se ainda vestíamos alguma roupa nova, era nosso pai que nos dava".
"Viemos para Guiratinga em busca de estudo", Dª Mera e sua irmã Tiana, viveram na chácara de “Dindinha” onde aprenderam e conheceram pessoas novas.
Dª Mera só saíram dessa chácara com dezessete anos casada, quando lá mesmo ainda morando com “Dindinha” conheceu “Ferrim” seu esposo.
“Nos crescemos juntos, brincávamos e trabalhávamos no mesmo lugar, mas nós só nos interessamos um pelo outro quando eu tinha quinze anos, foram dois anos de namoro até nosso casamento. Ele foi meu primeiro namorado até o nosso casamento. Nosso namoro foi através de cartas que ele mesmo escrevia e as irmãs e os colegas deles me entregavam”.
A “Dindinha” não autorizava o namoro de Dª Mera, enquanto os pais de “Ferrim’ já queria velos casados. Seu casamento foi celebrado na igreja São João Batista no dia 23/06/1969 ás 10:00 horas da manhã pelo Padre Cornélio que realizou o casamento religioso e civil.
‘ Eu entrei na igreja com meu padrinho e não com meu pai, pois naquela época eram os padrinhos que levavam a noiva até o noivo”.
As 15:00 horas os noivos foram para casa de Dª Sabina mãe de Ferrim, onde aconteceria o jantar e o baile.
O baile terminou ás 7:00 horas da manhã do dia seguinte e o noivo só indo para suas sonhada casa ás 09:00 hrs.
Moravam de aluguel por 2 anos e 6 meses, quando conseguiram construir sua ainda sonhada casa.
Depois de dois anos de casamento que foi concebido o primeiro filho do casal Luiz Carlos e em seguida a segunda filha Louzeni.
Alugaram a casa, para morar e trabalhar em uma fazenda onde tiveram outros cinco filhos. Quando as crianças tiveram idade para estudar, Dª Mera voltou a Guiratinga deixando seu esposo na fazenda só retornando nas férias escolares das crianças.
Trabalharam por vinte anos nessa fazenda, e conseguiram comprar um sitio.
“Hoje estou com 58 anos e meu esposo com 62, já são 40 anos de casamento. O meu sonho e terminar meus anos de vida no sitio que nos conseguimos comprar com muito sacrifício ao lado do meu esposo’.
Dona Mera, sinônimo, de Coragem, Companheirismo, Insistência, Lutadora, Batalhadora.
- "Todo ser humano passa por turbulências em sua vida. A alguns falta o pão na mesa; a outros, a alegria na alma. Uns lutam para sobreviver. Outros são ricos e abastados, mas mendigam o pão da tranqüilidade e da felicidade."
A ela Dª Mera não faltou nada que a impedisse de lutar, por isso me orgulho muito de ser sua neta.



Artigo produzido pela aluna Mickaelle Cardoso da Silva
Sobre orientação do Professor João Antonio onde nessa
Homenagem foi usada Pseudonimo

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